• Família: Myrtaceae

  • Gênero: Corymbia

  • Subgênero: Ochraria

  • Espécie: Corymbia citriodora (Hook.) Hill & Johnson

 

Área de origem e clima

Corymbia citriodora distribui-se naturalmente na região norte e central da Austrália, em grande extensão de Maryborough até Mackay. Sua ocorrência é notada abundantemente no estado de Queensland. A latitude em que há maior ocorrência está entre 16º45’S e 20º30’S na distribuição ao norte da Austrália, com altitudes de 450 a 1000 m. Ao sul do país, se estende de 22º45’S a 26ºS, com altitudes de 70 a 400 m (CABI Forest Compendium, 2014) (Figura 1). Essa mesma latitude, no Brasil, compreende o sul da região Centro-Oeste, se estendendo até o início da região sul, em Santa Catarina. 
O clima é quente, podendo variar de úmido a subúmido, com temperaturas médias do mês mais quente prevalecendo entre 29ºC e 30ºC e temperaturas mínimas do mês mais frio entre 5 a 10ºC. Possui precipitação anual variando de 600 a 2000 mm, sendo mais expressiva no verão. Há eventual ocorrência da espécie em áreas onde há ocorrência de geadas leves, suportando temperaturas próximas a -3 ºC (EMBRAPA, 2013).

 

Descrição botânica

Segundo Lorenzi et al. (2003), C. citriodora é uma árvore perenifólia, ou seja, mantém suas folhas durante o ano todo. Pode chegar a 20-25 m de altura, de tronco ereto (Figura 2) e apresenta as seguintes características:

  • Casca: pardo-acinzentada, lisa, que se desprende em lâminas irregulares, expondo a superfície branca, cinza ou azulada, algumas vezes persistindo na parte basal do tronco (Figura 3). 

  • Folhas: caracterizadas por forte odor de citronela, possuem na idade juvenil folhas alternas, estreitas a largo-lanceoladas, às vezes peltadas, pecioladas, hirsutas, de margens onduladas, podendo ser arroxeadas na face inferior.  As folhas maduras são alternas, estreito-lanceoladas, eventualmente falcadas, pecioladas, verde-escuras em ambas as faces, de 10 a 20 cm de comprimento, com as nervuras secundárias, divergindo em 45 graus em relação à principal (Figura 4).

  • Inflorescências: ocorrem em umbelas únicas, apresentando de 4 a muitas flores de muitos estames brancos, com pedúnculos cilíndricos, cujos botões possuem opérculo cônico ou ligeiramente rostrado (Figura 4). 

  • Frutos: do tipo cápsula, ovalado globosos, deiscentes, de 6 a 10 mm de diâmetro, com 3 a 5 válvulas bem salientes, contendo pequenas sementes marrons (Figura 5) (Reis et al., 2013).

  • Sementes: são diminutas e de coloração preta avermelhada (EMBRAPA, 2013), sendo que um quilo compreende cerca de 180 mil sementes (quilograma de sementes inteiras e puras, isto é, sem resíduos) (Bisht e Ahlawat, 1999). 

  • Madeira: possui alta densidade (867 kg/m³) e boa trabalhabilidade quanto às características de aplainamento, lixamento, furação e acabamento. É uma madeira excelente para serraria, no entanto, requer o uso de técnicas apropriadas de desdobro para minimizar os efeitos das tensões de crescimento. O cerne e alburno possuem cores distintas, em que o cerne é pardo e o alburno é branco-amarelado; sem brilho (Figura 6) (IPT, 1997).

 

Usos potenciais

Segundo Reis et al. (2013), C. citriodora tem sua madeira utilizada na produção de carvão vegetal, cabos de ferramentas, cercas, cruzetas, dormentes, lenha, mourões, pontaletes, postes, serraria (vigas, caibros e móveis), dentre outros usos (Golfari et al., 1978; Ferreira, 2003; Boland et al., 2006). O óleo essencial extraído de suas folhas tem sido usado na aromatização de ambientes e produção de desinfetantes, detergentes, sabões, mascarantes industriais, ceras, saponáceos, pedras sanitárias e como matéria-prima para a indústria de perfumaria e fármacos (Vitti et. al, 2003; Vieira, 2004).

 

Silvicultura

Segundo Vieira (2004), a área estimada de plantio de C. citriodora no Brasil era de 85 mil ha, com maior concentração nos estados de Minas Gerais e São Paulo (Kronka et al., 2002), sendo cultivada principalmente por pequenos e médios proprietários rurais (Vieira, 2004).
Conforme Reis et al. (2013), há certo grau de dificuldade na produção de mudas de C. citriodora, pois, em geral, apresentam lento crescimento, o que reduz a capacidade de reter nutrientes da adubação de cobertura devido a rápida lixiviação. Além disso, há chances de maior susceptibilidade às doenças e exigências nutricionais (Bernardi et al., 2012). Mudas de C. citriodora são produzidas apenas pelo sistema de semeadura, pois não há bons resultados no enraizamento para sistema de estaquia (EMBRAPA, 2003).
Povoamentos de C. citriodora podem ser manejados exclusivamente para produção de madeira devido à sua boa qualidade; mas também para obtenção de óleo essencial.
O manejo voltado para a produção de madeira apenas é comumente realizado no sistema de alto fuste, em espaçamentos que variam de 3x1,5 m, 3x3 m, e principalmente 3x2 m (1666 plantas/ha) (Vieira, 2004). O estudo de Oliveira et al. (1999) investigou a produtividade e características do fuste para 39 progênies de C. citriodora em plantios com 16 anos de idade e espaçamento de 3x2 m, no município de Anhembi-SP. Eles observaram um incremento médio anual (IMA) de madeira na ordem de 38m³/ha.ano e descreveram o formato dos fustes como regulares e pouco sinuosos e com um fator de forma médio de 0,49.
Por outro lado, em plantios de C. citriodora voltados para a produção de óleo essencial, espaçamentos menores têm sido adotados, por exemplo: 1x1 m, 1,5x1,5 m, 2x1 m e 3x1 m (Vieira, 2004; Silva et al., 2009). O sistema de manejo mais utilizado é o de talhadia, em que após o corte raso da floresta, faz-se a condução das brotações (Galanti, 1987). Esse método garante maior taxa de crescimento inicial das plantas, pelo fato das cepas já terem um sistema radicular desenvolvido quando comparado ao plantio de novas mudas (reforma) (Reis e Reis, 1997). Segundo Vieira (2004), a coleta de folhas na primeira rotação pode ser realizada a partir de 1 ano de idade da floresta, fazendo-se a desrama dos 2/3 inferiores da copa, repetindo-se a atividade a cada 1 ano até que a árvore atinja uma altura que inviabilize a desrama. Então faz-se o corte raso para coleta de 100% das folhas e aproveitamento da madeira (geralmente, para lenha), e dá-se início a segunda rotação, com a condução das brotas. Quanto ao manejo das brotações, a primeira desbrota acontece por volta de 8 meses, quando é realizada a primeira coleta de folhas, deixando dois brotos por touça até a idade de 2 anos. Nesse período é realizado um segundo desbaste, deixando apenas um fuste por árvore. Com esse método o cultivo se torna mais produtivo, pois aproveita o máximo das brotações ocupando o mesmo espaço e sistema radicular. 
Após certo número de rotações (geralmente duas ou três, podendo ser mais), torna-se necessário realizar a reforma da área, devido à queda de produção causada por fatores como mortalidade de árvores, mortalidade de cepas, esgotamento de nutrientes, compactação do solo e decréscimo do vigor das cepas (Reis e Reis, 1997). A reforma da área pode ser também justificada quando se deseja adotar um material genético mais produtivo disponível no mercado. Por exemplo, trabalhos de melhoramento já conseguiram elevar a produtividade de óleo de C citriodora em até 1%, significando cerca de 10 kg de óleo a mais a cada tonelada de folha destilada (Donalísio, 1986).
 Silva et al. (2009) estudaram o efeito do espaçamento de plantio e intensidade do manejo sobre a produção de biomassa de folhas e de óleo essencial em plantios de C. citriodora. O primeiro tratamento possuía densidade de 1666 plantas/ha (3x2 m), com coleta de folhas dos 2/3 inferiores da copa a cada 12 meses; enquanto que o tratamento alternativo possuía densidade de 10 mil plantas/ha (1x1 m) com coleta de folhas a cada 6 meses por meio de corte raso das plantas e posterior condução das brotas. Após 30 meses de idade o manejo adensado havia produzido 3 vezes mais óleo essencial (363 L/ha versus 116 L/ha). Apesar de maior produção, o plantio adensado com manejo intensivo também possui desvantagens, como maior custo de implantação, maior exportação de nutrientes, e a não produção de madeira ao final da rotação/ciclo.
O principal componente do óleo de C. citriodora é o citronelal (65 a 80%), sendo ele obtido por destilação com arraste por vapor d`água, com uma recuperação média de até 2% base peso verde das folhas (Vitti e Brito, 2003).

 

Figuras

Referências

Australia's Virtual Herbarium 2015. Corymbia citriodora. Acesso em: 20/10/2015. Disponível em: link. 

 

Arbornet – Quality Advanced Trees. Container Trees - Corymbia citriodora (Lemon-scented Gum). Acesso em: 06/03/2016. Disponível em: link.

 

Bernardi, M.R.; Sperotto Junior, M.; Daniel, O.; Vitorino, A.C.T. Crescimento de mudas de Corymbia citriodora em função do uso de hidrogel e adubação. Cerne, v. 18, n. 1, p. 67-74, 2012. 

 

Berti Filho, E. O parasitismo no controle integrado de pragas florestais. Silvicultura, v.10, n.39, p.7-10, 1984.

 

Bisht, N.S.; Ahlawat, S.P. Seed Technology, State Forestry Research Institute, Government of Arunachal Pradesh, Itanagar, India, 1999.

 

Boland, D.; Broker, M.H.; Chippendale, G.M.; Hall, N.; Hyland, B.P.M.; Johnston, R.D.; Kleining, D.A.; Mcdonald, M.W.; Turner, J.D. Forest trees of Australia. Melbourne: CSIRO, 2006. 736 p.

 

CABI [Forest Compendium] Corymbia citriodora (lemon-scented gum), 2014. Acesso em: 15/10/2015. Disponível em: link.

 

Donalísio, M.G.R. Pesquisas sobre plantas aromáticas no Instituto Agronômico de Campinas. In: Simpósio de Óleos Essenciais, São Paulo, 1986. Anais... São Paulo: Fundação Cargill, 1986. p. 11-14.

 

EMBRAPA. Produção de mudas de Eucalyptus para o estabelecimento de plantios florestais. Comunicado Técnico. Brasília, DF. Nov, 2003.  

 

EMBRAPA. Corymbia citriodora: estado da arte de pesquisas no Brasil. Documentos 255. Colombo, PR. Out, 2013.

 

Ferreira, O.P. (Coord). Madeira: uso sustentável na construção civil. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 2003. 60 p. (Publicação IPT, 2980). 

 

Galanti, S. Produção de óleo essencial de Eucalyptus citriodora Hooker no município de Torrinha, Estado de São Paulo. 1987. 49 f. Monografia (Graduação em Engenharia Florestal) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.

 

Golfari, L.; Caser, R.L.; Moura, V.P. Zoneamento ecológico esquemático para reflorestamento no Brasil. Brasília, DF: PNUD/FAO/IBDF/BRA-45, 1978. 66 p. (Série Técnica, 11).

 

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Kronka, F.J.N; Nalon, M.A.; Matsukuma, C.K. Inventário florestal das áreas reflorestadas no estado de São Paulo. São Paulo: Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Instituto Florestal; 2002. 184 p.

 

Lorenzi, H.; Souza, H.M.; Torres, M.A.V.; Bacher, L.B. Árvores exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2003. 367 p.

 

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Oliveira, J.T.S.; Hellmeister, J.C.; Simões, J.W.; Filho, M.T. Caracterização da madeira de sete espécies de eucaliptos para a construção civil: 1- avaliações dendrométricas das árvores. Scientia Forestalis n. 56, p. 113-124, dez. 1999.

 

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Silveira, R.L.V.A.; Sgarbi, F.; Higashi, E.N.; Muniz, M.R.A. Seja o doutor do seu eucalipto. Informações Agronômicas, Campinas, n. 93, 2001. 32 p.

 

Vieira, I.G. Estudo de caracteres silviculturais e de produção de óleo essencial de progênies de Corymbia citriodora (Hook) K. D. Hill & L.A.S.Johnson Procedente de Anhembi – SP – Brasil, Ex. Athertin QLD – Austrália. Agosto de 2004. 80 p.

 

Vitti, A.M.S.; Brito, O.J. Óleo essencial de eucalipto. Piracicaba: ESALQ, 2003. 26p. (Documentos Florestais).
 

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Figura 1. Área de origem do C. citriodora na Austrália (fonte: Australia's Virtual Herbarium 2015).

 

Figura 2. Árvore adulta de C. citriodora (fonte: Arbornet).

 

Escrito por:  Vitória Fernanda dos Santos (Março/2016).

 

Suscetibilidade a pragas e doenças

Segundo Vieira (2004), o C. citriodora é considerado uma das espécies mais atacadas por insetos. Os maiores danos são causados por insetos pertencentes às ordens Hymenopteras (formigas cortadeiras), Lepidopteras (lagartas) e Coleopteras (besouro de folhas) (Berti Filho, 1984).
Reis et al. (2013) apontam que o C. citriodora é uma das espécies mais suscetíveis à deficiência de boro entre os eucaliptos, podendo estar relacionada à suscetibilidade ao ataque de patógenos secundários, como os fungos Botryosphaeria ribis e Lasiodiplodia theobromae (Silveira et al., 1996; 1998; 2001).

 

Figura 3. Casca de C. citriodora aos 11 anos de idade no TUME 0, Itatinga-SP.

 

Figura 4. Folhas e inflorescências de C. citriodora (fonte: Navie, 2011).

 

Figura 5. Frutos tipo cápsula de C. citriodora (fonte: Herbarium Plantas y Hongos).

Figura 6. Face tangencial da madeira de C. citriodora (fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT).

 

Corymbia citriodora