• Família: Myrtaceae

  • Gênero: Eucalyptus

  • Subgênero: Symphyomyrtus

  • Espécie: Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden

 

Área de origem e clima

Ocorre naturalmente em regiões costeiras do leste da Austrália, de Newcastle e Coffs Harbour em New South Wales, ao leste de Gympie no sudeste de Queensland até regiões mais ao nordeste do país no planalto de Eungella a oeste de Mackey, próximo a Inghan e no planalto de Atherton (Figura 1); geralmente em altitudes próximas a 600 metros na região de New South Wales e sul de Queensland e de 400-1250 metros de altitude no norte de Queensland (Clarke et al., 2009). Segundo Jovanovic e Booth (2002), a espécie se encontra em regiões onde ocorre precipitação média anual por volta de 1000 até 3730 mm, temperatura média anual de 12 a 25ºC, sendo a temperatura média máxima no mês mais quente de 22 a 34ºC e temperatura média mínima no mês mais frio de 0 a 16ºC. Nas áreas de ocorrência natural do Eucalyptus grandis, a estação seca varia de 0 a 6 meses (Clarke et al., 2009). Segundo Boland et al. (1984), os solos são aluviais ou de origem vulcânica nos vales e planícies ao longo da costa leste australiana, estendendo-se até o limite de Queensland, enquanto que mais ao nordeste, próximo ao planalto de Atherton, os solos são profundos e drenados. As procedências mais conhecidas de E. grandis são Atherton e Coffs Harbour.

 

Descrição botânica

De acordo com Lorenzi et al. (2003), a espécie (Figura 2) em questão apresenta as seguintes características morfológicas:

  • Casca: pulverulenta que se desprende em longas tiras, deixando a mostra uma superfície lisa de cor branca, acinzentada, esverdeada ou salmão. Em alguns casos, a casca não se desprende na base da árvore (Figura 3).

  • Folha adulta: alterna lanceolada, falcada, verde-escura, brilhante, com ápice aguda e margens levemente onduladas, comprimento de 10-20 cm e pecíolo de 2-3 cm (Figura 4 e Figura 5).

  • Inflorescências: umbelas axilares com pedúnculo achatado e 6-12 flores brancas. Botões sésseis, piriformes com opérculo ligeiramente apiculado (Figura 5).

  • Frutos: cápsulas, piriformes, em geral verde-azulados deiscentes, com valvas encurvadas de aproximadamente 7 mm de diâmetro com pequenas sementes marrons (Figura 6).

  • Sementes: marrons e pequenas. Até 1 milhão de sementes/kg bruto (não peneirada, ou seja, com palha).

  • Madeira: cerne e alburno distintos pela cor, podendo ser castanho-rosado-claro, alburno bege-rosado, pouco brilho (Figura 7); cheiro e gosto imperceptíveis, com densidade baixa (variando entre 400 e 480 kg/m³ aos 6-7 anos de idade), macia ao corte, grã direita e textura fina a média (Angyalossy-Alfonso, 1987).

 

Usos potenciais

O uso da madeira é bem amplo, sendo destinado em sua maioria para a produção de celulose e papel, painéis de fibra e aglomerado, combustível industrial, doméstico e produtos de serraria (Soares et al., 2003).  De acordo com Simula e Tissari (1998), a espécie em questão se destaca dentro do gênero Eucalyptus, pois além de apresentar usos múltiplos como relatado por Soares et al. (2003), se sobressai na movelaria devido a sua madeira, que é facilmente trabalhada, já que é serrada, torneada, lixada, furada e malhetada facilmente. Além disso, proporciona boa linha de cola e recebe pintura e brilho prontamente.
Além de todos os usos já citados, segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sua madeira também pode ser utilizada na construção civil leve (ripas, partes secundárias de estruturas, cordões, guarnições, rodapés, forros, lambris, pontaletes, andaimes, tábuas, tacos e parquetes).

 

Silvicultura

O E. grandis é a espécie de eucalipto mais cultivada no país, devido aos seus inúmeros usos aliado com fatores como rápido crescimento da espécie, características silviculturais desejáveis, propriedades diversas da madeira, importância econômica e variabilidade genética grande (Miranda, 2012). Garcia et al. (2014) em estudo sobre a modelagem da aptidão climática do E. grandis frente aos cenários de mudanças climáticas no Brasil, mostra que para o clima atual, o Brasil apresenta área apta para o material de origem da espécie de 1.499.405 km², correspondendo a 17,6% do território, abrangendo sul, sudeste, centro-oeste e pequena parte do norte do país (Figura 8).
Em estudo do mapeamento de solos e da produtividade de E. grandis realizado por Gonçalves et al. (2012), foi observado que o incremento médio anual (IMA) da madeira nas plantações da espécie variou de 26 m³/ha.ano a 52 m³/ha.ano sob diferentes tipos de solo, destacando sua boa produtividade. Em estudo realizado por Stape et al. (1997), no nordeste da Bahia, o incremento médio anual (IMA) deste híbrido, aos 7 anos, está próximo dos 40 m³/ha.ano, levando em conta um argissolo de textura média a argilosa e precipitação média anual superior aos 1200 mm. 
Além disto, o E. grandis pode cruzar com outras espécies, gerando híbridos, sendo que, frequentemente, é enfatizada a boa capacidade de combinação com o Eucalyptus urophylla (Rezende e Resende, 2000; Assis, 2000; Baudouin et al., 1997; Ferreira e Santos 1997). O mesmo é muito utilizado pelas empresas florestais por apresentar grande produtividade e menor suscetibilidade a doenças, como resistência ao cancro (Cryphonectria cubensis) superior ao E. grandis (Moura et al., 1980).

 

Suscetibilidade a pragas e doenças

O E. grandis é suscetível a doenças como ferrugem (Puccinia psidii), cancro (Cryphonectria cubensis, Valsa ceratosperma), oídio (Oidium sp.), mofo cinzento (Botrytis cinerea), manchas foliares (Cylindrocladium spp.), entre outras doenças (Silveira et al., 2001). Entretanto, há variabilidade na espécie suficiente para seleção de genótipos tolerantes ou resistentes a diversas dessas doenças, como, por exemplo, a quantificação de severidade e herança da resistência à ferrugem feita por Junghans (2000) em E. grandis
Já em relação a pragas, é suscetível a saúvas (Atta spp), quenquéns (Acromyrmex spp), cupins (famílias: Kalotermitidae, Rhinotermitidae Termitidae), lagartas desfolhadoras (Thyrinteina arnobia e Glena spp), entre outras (Silveira et al., 2001). Outra praga, recente, porém de grande importância é a vespa-da-galha (Leptocybe invasa), pois, segundo Nadel e Slippers (2011) os danos mais severos da L. invasa são encontrados em plantios jovens de E. grandis. Além disto, a praga também afeta os híbridos, pois, inicialmente a L. invasa foi observada em E. camaldulensis x E. grandis no nordeste da Bahia (Wilcken e Berti Filho, 2008) e, posteriormente, registrada nos estados do Maranhão, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul (Magistrali et al., 2010; Furtado e Wilcken, 2012; Queiroz et al., 2012).

 

Figuras

Figura 1. Área de origem do E. grandis na Austrália (fonte: Australia's Virtual Herbarium 2015).

 

Figura 3. Casca de E. grandis (fonte: Lorenzi et al., 2003).

 

Figura 5. Inflorescências de E. grandis (fonte: Northern Beaches Herbarium, 2009).

 

Figura 7. Face tangencial da madeira de E. grandis (fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT).

 

Figura 2. Árvores adultas de E. grandis (fonte: Northern Beaches Herbarium, 2009).

 

Figura 4. Folhas de E. grandis (fonte: Office of Environment and Heritage – NSW Government).

 

Figura 6. Frutos de E. grandis (fonte: Northern Beaches Herbarium, 2009).

 

Figura 8. Área apta ao cultivo de E. grandis no Brasil. (fonte: Garcia et al., 2014).

 

Referências

Angyalossy-Alfonso, V. Caracterização anatômica das principais espécies de Eucalyptus L'Hérit cultivadas no Brasil. Tese de Doutorado, Instituto de Biociências - Universidade de São Paulo. 188p. 1987.

 

Assis, T.F. Production and use of Eucalyptus hybrids for industrial purposes. In: Hybrid Breeding and Genetics of Forest Trees, 2000, Noosa. Proceedings. Brisbane: Department of Primary Industries, 2000. p. 63-74.

 

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Boland, D.J.; Brooker, M.I.H.; Chippendale, G.M.; Hall, N.; Hyland, B.P.M.; Johnston, R.D.; Kleinig, D.A.; Turner, J.D. Forest trees of Australia. Melbourne: Nelson: CSIRO, 1984. 687 p.

 

Clarke, B.; McLeod, I.; Vercoe, T. Trees for farm forestry: 22 promising species, RIRDC Publication No. 09/015. RIRDC, Canberra, 2009.

 

Ferreira, M.; Santos, P.E.T. Melhoramento genético florestal do Eucalyptus no Brasil: breve histórico e perspectivas. In: IUFRO Conference on Silviculture and Improvement of Eucalyptus, 1997, Salvador. Proceedings. Colombo: Embrapa - Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, 1997. v. 1, p. 14-34.

 

Furtado, E.L; Wilcken, C.F. Priorização de registro de produtos. 2012. Acesso em: 24/11/2015. Disponível em: link.

 

Garcia, L.G.; Ferraz, S.F.B.; Alvares, C.A.; Ferraz, K.M.P.M.B.; Riga, R.C.V. Modelagem da aptidão climática do Eucalyptus grandis frente aos cenários de mudanças climáticas no Brasil. Scientia Forestalis (IPEF), v. 42, p. 1, 2014.

 

Gonçalves, J.L.M.; Alvarez, C.A.; Gonçalves, T.D.; Moreira, R.M.; Mendes, J.C.T.; Gava, J.L. Mapeamento de solos e da produtividade de plantações de Eucalyptus grandis, com uso de sistema de informação geográfica. Scientia Forestalis (IPEF), v. 40, p. 187, 2012.

 

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Moura, V.P.G.; Caser, R.L; Albino, J.C; Guimarães, D.P.; Melo, J.T.; Comastri, S.A. Avaliação de espécies de Eucalyptus em Minas Gerais e Espírito Santo: resultados parciais. Brasília: Embrapa-CPAC, 1980. 104p. (Embrapa-CPAC. Boletim de Pesquisa, 1).

 

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Escrito por:  Renan Calsavara (Janeiro/2016).

 

Eucalyptus grandis